domingo, 3 de janeiro de 2010

Uma breve satisfação aos amigos ateus

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Bem, todos que me conhecem sabem dos meus esforços para alavancar a União Nacional dos Ateus à posição de principal entidade representativa do ateísmo. Durante alguns meses, conseguimos nosso intuito. Ao lado de pessoas como Åsa Heuser, Leo Gerrard, Yuri Grecco, Marcelo Ronconi, Fábio Heavy, Fausto Gabiou, Rafael Grando, Rafael Oliveira, Marcos Lima, e outros tantos que eu jamais poderia enumerá-los todos, fizemos uma grande diferença com a campanha Mostre a Sua Cara, e com a integridade com que defendemos a causa ateísta enquanto estávamos na liderança da UNA.

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Infelizmente, recaímos em alguns erros enquanto fazíamos a gestão da fundação da UNA. Durante um ano, tivemos nossa quota de sucessos, e também de fracassos. O pior deles talvez tenha sido o próprio sistema de gestão. Entre diretores ausentes, diretores hiperpresentes, diretores apáticos e diretores intransigentes, vimos multiplicar as opções que deveríamos levar em conta quando surgisse uma administração verdadeiramente oficial.

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Em alguns pontos, esbarramos na burocracia. Eu não sou advogado, nem nunca fui líder em alguma entidade que representasse tanta gente. Obviamente, tive de confiar em quem tivesse a capacidade de gerenciar esses processos legais. Durante meses, discutimos o estatuto, as diretrizes e objetivos da UNA, perdemos diretores no processo, e integramos outros em seus lugares.

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E, por fim, devido a problemas de intransigência interna, eu e mais outros cinco membros da diretoria nos afastamos da UNA.

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Não vou explicar os motivos aqui. Se eu o fizer, isso vai virar um campo de batalha. E como muitos sabem, eu tendo a ignorar meus oponentes. Acho mais fácil assim. Mas vou levantar alguns questionamentos.

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Um dia após meu afastamento da UNA, o dono da comunidade surgiu com uma ideia burlesca de que eu pudesse ser um HDB (Homem de Bem, ganguezinha medíocre de adolescentes revoltadinhos que atua na Internet, disseminando o preconceito e a intolerância). Tal acusação é tão fora de propósito que, por si só, demonstra claramente a índole das pessoas das quais eu preferi me afastar. Durante um ano foi a pessoa mais confiável do ateísmo. E no outro eu era um HDB.

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Que façam as acusações. Elas só servem para mostrar o quão podres se tornaram algumas lideranças da UNA. No mais profundo do meu ser, agradeci pela acusação. Aqueles que me conhecem e confiam no meu trabalho já perceberam as sombras que rondam os bastidores.

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Ninguém há de levantar um dedo para criticar o grande trabalho que desenvolvemos durante nossa gestão. Ainda que fosse apenas uma comunidade no Orkut, a UNA cresceu e se fortaleceu, porque era administrada por pessoas de competência e compromisso verdadeiro, como se fosse uma entidade de verdade.

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Mas, de repente, a diretoria começou a ser questionada, com dúvidas implantadas, indiretas venenosas, conversas de bastidores que só surgem para desgastar a imagem daqueles que se afastaram exatamente porque estavam desgastados com as injustiças praticadas além da esfera de conhecimento dos membros.

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Nós poderíamos simplesmente nos afastar da comunidade e fundarmos a UNA. Quando tudo estivesse legalizado, assumiríamos a comunidade e tocaríamos o barco à frente. Afinal, estando por dentro de todos os processos, era fácil simplesmente dar continuidade aos trabalhos, como sempre fizemos. Mas o que seríamos, se fizéssemos isso? Se, afastando-se de forma pacífica, já fomos tão criticados e questionados, imaginem o que diriam se agíssemos por trás dos panos, como, aliás, alguns estão fazendo agora?

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Por isso eu digo e reafirmo: me afastei da UNA porque a ideologia que tínhamos está morta, acabou. Seja o que for a entidade quando (e se) for fundada, ela não será mais a utopia democrática que esperávamos que fosse. Falta liderança no que restou. Os que sobraram lutam para reerguer as estruturas, e eu torço por eles. Não fosse a presença do pequeno “exército da libertação”, vozes revoltadinhas que se erguem para difamar, provocar e radicalizar, eu acreditaria que a UNA poderia dar certo. Talvez ela chegue a ser registrada, mas que tipo de entidade será ela?

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Lembrem-se: criticamos a Atea pelo seu absolutismo. E agora nos comportamos da mesma maneira.

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Fico triste ao ver a forma cega como tantos membros simplesmente aceitaram os fatos. Não o afastamento da diretoria. Isso é o de menos, na verdade. Mas a aceitação de que a UNA continue como está, nas mãos de pessoas centralizadoras que, ao primeiro sinal de oposição, se armam das mais vis ferramentas para ganhar uma discussão que poderia ter sido saudável.

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Minha militância é pelo ateísmo. Meu real compromisso é pela disseminação do humanismo secular e do estado laico, usando o ateísmo como exemplo de dignidade e ética. Jamais vou abandonar essa luta. E pelo que conheço da boa índole e do compromisso com a ética, que são características dos meus companheiros afastados da UNA, posso garantir que essa também é a opinião deles.

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Deixei a UNA, mas não deixei o ateísmo. Meu trabalho vai continuar, exatamente do ponto onde parou. Cheguei em uma bifurcação na estrada. Nessa bifurcação, eu e a UNA nos separamos. Mas ambos seguem em frente. E ao contrário do que muitos afirmam, eu sigo com o ego intacto. Nunca pedi uma liderança. Se ela me foi dada, é porque acreditavam que eu tivesse a capacidade para isso. Sigo sem cicatrizes. Infelizmente, não posso dizer o mesmo da UNA.

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Nós nos tornamos ateus porque somos contra verdades absolutas. Portanto, seja qual for o seu sonho de representação, não fique cego à realidade. Não se comporte como um fiel de igreja, cujo desejo é ver seu templo fortalecido, mesmo que isso custe ignorar as práticas cometidas por seu pastor nos bastidores. Se somos ateus, o mínimo que podemos fazer é questionar as verdades que nos são apresentadas.

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2010 será um ano interessante. Surpresas virão, e esperamos que elas sejam muito mais agradáveis e satisfatórias do que foram em 2009. Da minha parte, desejo a todos os amigos ateus que tenham um bom ano, e que não abandonem a militância, seja ela na Atea, na LiHS ou na UNA. Por enquanto, essas são as alternativas.

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Mas 2010 tem doze meses, 365 dias... muitas surpresas virão...

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Você já xingou sua avó hoje?

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Bem,
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O post de ontem surtiu os efeitos desejados. Postei-o em várias comunidades e, dentre elogios e críticas, sobraram também ofensas.
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Curiosamente, essas são as que mais me interessam.
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Ontem eu afirmei que ateus que se (des)prezam a cometer injúrias, ofensas e crimes contra os religiosos são idiotas e imbecis. E continuo pensando da mesma forma. O interessante, ao postar uma opinião assim, é que você percebe aqueles que reafirmam seu desejo de praticar um humanismo verdadeiro, de serem coerentes com suas ações e, principalmente, agir de forma sensata e respeitosa. Dá pra sentir orgulho de ser ateu ao ver que sua opinião é compartilhada por tantos outros, e que o ateísmo não é, enfim, um estado de espírito de revolta e digno de desprezo.
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Mas vamos ao que interessa.
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Primeira ofensa: e a que eu mais esperava, era daqueles que viriam me acusando de usar o mesmo tom de discurso que critico no texto. Como eu posso pedir a alguém para não ser estúpido, se eu mesmo estava sendo? A maioria das pessoas concordou comigo. Mas algumas pessoas se sentiram realmente incomodadas...
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Por quê?
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Eu só estava exercendo meu direito de ser idiota.
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E, se aqueles que compartilham de minha opinião não se sentiram ofendidos, porquê os que não compartilham ergueram suas vozes em ofensa à minha pessoa?
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Essa resposta é fácil:
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Porque se enquadram na classificação dos idiotas! Não porque discordaram de mim, mas porque são pessoas que realmente pensam em pichar igrejas, rabiscar notas, xingar crentes, quebrar vidraças. São pessoas que, se fosse lhes dada a chance, seriam capazes de proibir ou coibir a liberdade de crenças e não-crenças de acordo com seus próprios objetivos egoístas, tal qual faria um grupo religioso, se dominasse o Governo. Tal qual o Talibã.
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Essas pessoas são dignas de respeito?
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Segunda ofensa: de tão enfadonha que é, eu também já a esperava. E toco-me a “ouvir” os idiotas dizendo que eu quero me promover às custas da minha militância.
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Promover o quê, ôôô cara-pálida? Meus lindos olhos azuis?
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O que essas pessoas não sabem é que quem se digna a criar uma associação ou entidade, seja de que natureza for, investe dinheiro e tempo que não resultam em benefícios pessoais. Por isso vemos poucas pessoas fazendo-o. Aqueles que criticam, provavelmente seriam os últimos a mover qualquer esforço para criar um sistema humanista que englobe todas as ideologias humanistas.
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Enfim,
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Usei as palavras que usei com a verdadeira intenção de ofender. Talvez, com isso, eu tenha deixado de ganhar o respeito de algumas pessoas. Não importa. Se você se sentiu ofendido, pense que é exatamente isso que você espera fazer com os teístas. Se você se sentiu ofendido, é porque tem o desejo de ofender.
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Convém pensar em suas ideologias.

“Não faça aos outros o quê você não quer que façam a você mesmo”. Penso que esse possa ser o maior princípio humanista que podemos obedecer. A não ser que você seja algum tipo de masoquista psicológico, você há concordar com ele. Por quê discordaria?
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Ainda tem dúvidas?
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Então responda: você já xingou sua avó hoje, covardão?
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Direito de Sermos Idiotas

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“Queria pegar um daqueles helicópteros americanos e elevar a pedra sagrada de Meca, soltando-a no mar”.

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“Quero colocar um boi no rolete em praça pública em Nova Delhi”.

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“Vamos invadir comunidades de crentes e torrar a paciência deles”.

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“Vamos rabiscar a frase “Deus seja Louvado” que vem nas notas de real”.

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“Vamos pichar igrejas com os dizeres “deus não existe”.

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Não, amigos, não estou fazendo sugestões de como nós, ateus, devemos agir para garantir que nossa opinião seja ouvida. O que vocês leram acima são alguns patéticos exemplos de como alguns ateus gostariam de fazer militância. São ideias retiradas de comunidades ateístas, geralmente sugeridas por adolescentes sem conteúdo, que acabaram de descobrir que deus não existe e querem, a qualquer custo, convencer as demais pessoas – os teístas e deístas – de que estamos certos.

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Bem, eu não chamo isso de militância, mas de infantilidade. Nem mesmo podemos chamar de terrorismo, porque não existem notícias de ateus que um dia tenham agido com tamanha estupidez.

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Mas é claro, essas pessoas estão exercendo seu direito à idiotice. Penso que todos já fomos idiotas em algum momento da vida. E ateus não têm imunidade contra isso. A idiotice, a imbecilidade, a intransigência, a estupidez, são inerentes a todos, até a quem não acredita em deus. Felizmente, na maioria dos casos, essa fase não é duradoura.

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Por “sorte”, essa fase passa. E geralmente aqueles que fizeram sugestões tão descabidas e imbecilóides acabam sentindo vergonha de si próprios; percebem o quanto foram infantis e imaturos em suas sugestões. A vergonha talvez seja maior quando percebem que existem aqueles que compartilham a mesma idade, mas que já ultrapassaram essa fase de criancice, e agora fazem uma militância consciente e digna de nota.

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Digo isso para aqueles que ainda agem movidos pela estupidez. Não me importo se minhas palavras são ofensivas ou não. Elas foram escritas para isso mesmo. Ofender. Afinal, é exatamente isso que os idiotas querem, não é? Ao pichar igrejas, xingar crentes, cometer crimes contra o patrimônio, não é exatamente o que eles estão fazendo? Ofendendo outras pessoas?

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Então eu digo:

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Queridos idiotas: cresçam. Deixem sua infantilidade de lado, adquiram conhecimento e percepção para compreender que não é através de ações ridículas e impensadas que vamos ganhar o respeito dos demais. O ateísmo não é apenas a não-crença em deus. É a busca por respostas. Se você tiver curiosidade suficiente para correr atrás dessas respostas, acabará por perceber que a maioria dos ateus são pessoas de boa índole, que não querem destruir igrejas ou causar mal a outros. Ateus são pessoas que querem respeito, não só a si próprios, mas a todos os demais, de forma a que cada um tenha o direito de abraçar a filosofia, a crença ou a não-crença que desejarem.

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E se vocês querem realmente ofender algum teísta, abem... comece pelos seus pais e familiares. Porque se você tem coragem de entrar em uma comunidade para despejar um lixo verborrágico para pessoas que crêem em deus, e que você sequer conhece a índole, mas é incapaz de fazer isso com aqueles que estão ao seu lado, então você não é nenhum entusiasta da causa.

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É apenas mais um covarde.

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Militância virrtual sim. Por quê não?

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Pois é,

Quando vivemos num universo virtual, passamos a criar e manter relacionamentos com pessoas reais, mas que conhecemos apenas virtualmente. De forma alguma isso diminui o respeito e o amor que acabamos desenvolvendo por essas pessoas. Trocamos segredos, confidências, desabafamos, brincamos, brigamos.

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Digo isso porque eu nunca encontrei pessoalmente alguns de meus melhores amigos, mas tenho uma boa convicção de que eles são pessoas boas e leais. E, muitas vezes, nos pegamos traçando estratégias para deixar o mundo melhor.

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Foram essas atitudes que permitiram que um grupo de pessoas criasse a União Nacional dos Ateus. O desejo de termos um mundo melhor para nós, ateus. Começamos aos trancos e barrancos, muitas vezes confundindo militância com agressividade. Não raramente, alguns de nossos membros se pegaram “aos tapas” com teístas, e sobraram ofensas, xingamentos, intransigência.

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Mas penso que melhoramos muito no último ano.

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Ainda há muito a ser feito, é claro. A UNA cresceu de forma surpreendente, e continua crescendo, com cerca de 20 adesões por dia. São ateus que descobriram quem somos e vêm até nós, com a esperança e o intuito de se agregarem aos seus semelhantes.

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Essa é a grande sacada do ambiente virtual. Ele permite que nos unamos em associações, agremiações, clubes, comunidades, tudo em prol de um desenvolvimento comum. Quem sonharia em ver tantos ateus assumidos militando em prol da laicidade e do humanismo, se não fosse a Internet? Antes desse advento, éramos poucos, espalhados, trancafiados no nosso armário filosófico, sem coragem de proclamar aos outros a nossa filosofia.

Por isso, penso que a UNA deva continuar a crescer o ambiente virtual. Sim, nós vamos migrar para o mundo real, o mundo sólido, disso não há dúvidas. Mas vamos manter nossa existência virtual, pois foi nela que nascemos e crescemos, e é através dela que vamos alcançar cada vez mais ateus, chamando-os para integrarem a grande rede ateísta que se forma dia após dia na Internet.

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Por quê estou falando isso?

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Porque estou cansado de ouvir pessoinhas dizendo que a UNA nada mais é do que uma entidade cuja existência limita-se à Internet. O mais engraçado é que, geralmente, essa imbecilidade é dita por pessoas que vivem trancafiadas em uma redoma virtual, diante do computador. Chega a ser engraçado.

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Blog, site, facebook, youtube, orkut, twitter. Esses são apenas alguns exemplos de canais que podemos utilizar em favor do crescimento do ateísmo. De outra forma, como conseguiríamos agregar tamanha força?

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Àqueles que criticam, eu afirmo com convicção: há de se buscar críticas mais construtivas ou sólidas, quando se decide contrariar uma iniciativa que começa no mundão virtual. E, caso decidam continuar com as críticas, por favor, façam-no pelo correio, caso contrário, suas críticas se transformam em piada de mau gosto.

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Zeitgeist: a verdade sobre o "Espírito dos Tempos"

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Digo-vos:
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Quando um trabalho é bem feito, merece reconhecimento.
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Há algum tempo, eu vinha pensando em criar um artigo para falar aos ateus sobre o documentário conspiracionista Zeitgeist. E queria fazê-lo como alerta aos desavisados.
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Sim, desavisados. Isso porquê Zeitgeist não é nenhum suprasumo do ceticismo. Na verdade, Zeitgeist pode ser traduzido como um vídeo apelativo que tenta encobrir mentiras antigas com mentiras mais novas.
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Foi, então, com um misto de surpresa e satisfação que li o artigo do amigo José Geraldo Gouvêa, frequentador de algumas comunidades e canais semelhantes, que falava exatamente sobre o assunto e cujo título peguei emprestado para abrir este post.
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Mas já estou me estendendo demais aqui. Passo a palavra para o amigo Geraldo, que com bastante discernimento, ajudou a desconstruir esse documentário repleto de falácias.
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Zeitgeist: A Verdade sobre o "Espirito dos Tempos"

Zeitgeist é sedutor, e muito, para os que têm o ateísmo como opinião preconcebida e gostariam de bases "formais" para debater contra os crentes, "provar" que Jesus Cristo é só um mito entre tantos e triunfalmente pôr-se de pé no pedestal da razão. Por esta sedução, eu diria até desta "adulação", dos anseios do neo-ateu, consegue manter-se na crista da onda: há quase dois anos não cessa de ser comentado e, quando achamos que caiu no limbo, eis que alguém o "descobre" e lança novamente à baila, como novidade --- e novidade ele é para o incauto, o desinformado, o novato da rede, e para os que estão dispostos a aceitar mentiras que estejam de acordo com suas crenças. Mas isto é ateísmo?

Em primeiro lugar eu gostaria de despir de mim este rótulo agressivo e desnecessário. Não acho mais que, por crer em Deus, alguém deva rotular-se de ``ateístas'', da mesma forma como alguém que deixou de crer no bicho-papão não precisa se rotular de coisa alguma. Aceitar tal título equivale equivale a autoinflingi-lo. E com ele vem a inversão do ônus da prova, a aceitação do conceito de ``Deus'' como fato consumado. Eu não creio em Deus, mas ateu é apenas o nome que me é dado por aqueles que creem.
Sou cético, ao menos parcialmente. Tento ser lógico, ao menos na medida em que isto me é útil intelectual, artística e profissionalmente. Mas reconheço que o ceticismo é uma atitude tensa que somente os comedidos podem ter sem o risco do pedantismo. Céticos bem informados costumam filosofar, céticos mal informados se acham filósofos só porque duvidam daquilo que não conseguem vislumbrar. Ceticismo é um método, não uma virtude: o mundo não é do tamanho de nossa ignorância, mas tampouco é do tamanho de nossas esperanças.
É do tamanho de nossas ignorâncias que Zeitgeist se aproveita. Traveste-se de ceticismo, mas traz um sistema de crença, ilógico como os outros. Pode não ser uma religião, mas tem o efeito sedativo da razão que o fanatismo produz. Por isso é ruim. Por isto é deletério. Por isso precisa ser combatido. Ele não traz nenhum bem à causa da razão contra o obscurantismo, porque não há racionalidade em teorias de conspiração, especialmente as que se apoiam em mentiras.

Imagens Violentas

Zeitgeist aparece na tela com uma série de chocantes imagens de guerra, algumas possivelmente montagens feitas por especialistas em efeitos. Depois, vem uma série de imagens de corpos celestes e, por fim, pacíficas imagens da superfície terrestre, seguidas pelo conhecido (e incorreto) desenho animado que mostra a "evolução do homem", de organismo unicelular a bípede implume que se chama de sapiens. Então uma mão que tenta escrever 1+1=2 é apresentada, meio que à força, a uma Bíblia e uma bandeira dos Estados Unidos.
Estas cenas apelam à razão? Dificilmente. São demasiado panfletárias, didáticas além do necessário. A razão não precisa ser tão rigorosamente tutelada. Fica claro, desde esse princípio, que o filme não é obra de Filosofia ou de História, mas um manifesto político --- e do pior tipo. Zeitgeist é um filme persuasivo, no mau sentido. Procura convencer pela emoção, e nisto se assemelha a qualquer filme de propaganda produzido por algum regime totalitário da Europa Central.
Pior ainda, os autores de Zeitgeist parecem saber que imagens violentas atiçam nossos centros cerebrais mais primitivos, amortecem a razão mais refinada. O objetivo esclarecido desta forma, tão emblemática, não pode ser uma reflexão profunda. Mas o que não é profundo, faz-se necessário ressaltar, reforçar e repisar; o que se faz com imagens de crianças e mulheres chorando desamparadas, soldados mortos, cadáveres de meninas, tudo ao som de uma música triste, música para criar o clima \inquote{Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade}.

Súplica especial

Nos fachos de luz sobre os quais se inscreve o título do filme, desenha-se, subliminarmente, repetidas vezes, estrelas de cinco e de seis pontas. Então uma voz começa a declamar, com voz de professor primário, que temos sido enganados por tudo e por todos, de todas as formas, o tempo todo, ao longo de toda a História.
Após decretar a implosão, em uma frase, de toda a cultura ocidental, o filme se propõe a justificar as razões pelas quais despreza tudo, ao mesmo tempo em que implora que você conceda à nova versão dos fatos que lhe é apresenta toda a credulidade que ele quer que você abandone em relação a tudo que jamais lhe foi dito. Alguém já ouviu falar da falácia da súplica especial?
* Você tem sido enganado por todo mundo!
* Por que devo, então, crer que você não está me enganando?
* Porque EU estou abrindo os seus olhos para a verdade.
Se você aceita teorias de conspiração que afagam a sua vontade de não crer no Velho Barreiro, digo, no Velho Barbudo do Céu, nada impede que você igualmente creia em profetas, em reptilianos, em arrebatamento, em urinoterapia, em ``viver de luz”, em crianças índigo, na capacidade de Paulo Coelho fazer chover. Se você aceita a súplica especial em um caso, porque está de acordo com seus desejos, nada impede que futuramente você a aceite em relação a outros casos, quando seus desejos mudarem. Você não é um ateu, um cético, um agnóstico, sequer um não-praticante de verdade: é só alguém escolheu para si um rótulo, mas que o trocará por outro quando não servir mais. Isto não é ateísmo, não é ceticismo, não é agnosticismo, é apenas modismo. Algo extremamente característico da cultura ``new age”, juntamente com cristais, chakras, xamanismo, viagem astral e terapias de vidas passadas. Bem vindo ao clube dos crentes, amigo que se acha descrente.

Mitomania e Mitologia

Os primeiros 45 minutos de Zeitgeist tentam explicar de forma detalhada que Jesus é um mito e o Cristianismo é uma farsa. Esta tese não é difícil de argumentar, havendo uma volumosa e inquestionável biblioteca de escritos e pesquisas das mais diversas disciplinas humanas que pode ser usada para sustentá-la. Causa-me profunda estranheza, então, que o filme pretenda defendê-la com base justamente em informações falsas, comparações anacrônicas, associações forçadas, explicações que não fazem sentido algum ou que, quando fazem, estão contaminadas na fonte pelo vício dos dados incorretos.
Pode-se chegar a uma conclusão falsa partindo de dados verdadeiros, tanto quanto se pode ter uma conclusão verdadeira a partir dos mais ridículos e absurdos argumentos. Desta forma, a validade dos dados não quer dizer que as conclusões são válidas, e a validade das conclusões não garante a validade das premissas. Por isso é preciso sermos prudentes ao analisar qualquer tipo de argumento, recusando legitimar as premissas só porque a conclusão é correta e recusando legitimar a conclusão só porque as premissas conferem. Esta necessidade é ainda mais evidente quando, por insuficiência de bases ou por influência de nossas crenças, passamos a ``buscar'' conclusões com que concordemos. E sabemos que mesmo os mais sábios estão sujeitos a tomar por ``correto'' o que confere com o que pensam. Sem ceticismo e racionalidade, podemos legitimar, a partir de nossas crenças, uma série de premissas risíveis.
Entre os argumentos apresentados está uma incursão pouco referenciada pela astrologia, tentando convencer-nos de que todas as religiões da orla do Mediterrâneo estavam organizadas em termos astronômicos e que sua evolução esteve relacionada às mudanças de era. Jesus Cristo é o arauto da Era de Peixes, que supostamente começa com a Era Cristã (há controvérsias quanto a isso entre os astrólogos) e, ainda por cima, deixa entredito que o cristianismo tinha duração determinada até a Era de Aquário (cujo início varia, de astrólogo para astrólogo, com uma incrível margem de erro de dois mil anos). O cristianismo seria a religião da Era de Peixes tal como o Judaísmo o fora na Era de Áries.

Mas tais explicações ignoram que o símbolo do peixe no cristianismo é um acrônimo para "Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador" em grego, não explicam como a Era de Peixes supostamente duraria 2.400 anos, mas a Era de Áries durara cerca de 1.200 e tampouco considera que a ovelha era símbolo do judaísmo porque tal animal era a base da economia dos antigos israelitas, um povo pastor. Pior ainda, deixa-se estranhamente implícita a crença de que haveria mesmo alguma mensagem oculta sendo transmitida por Jesus, quando ele faz a "profecia" sobre a Era de Aquário! Sim, amigo neo-ateu! O filme que você idolatra, de alguma forma e por alguma razão, não retira de Jesus um caráter sobrenatural! No máximo altera a natureza desta sobrenaturalidade. Com menos esforço do que o necessário para demolir a argumentação furada de Zeitgeist é possível identificar influências gnósticas nesse Jesus profeta da Era de Aquário.
Não é preciso que me estenda muito sobre os erros de Zeitgeist. Aquele que busca verdadeiramente o conhecimento encontrará na rede mundial uma longa lista de sítios que desmascaram com grande eficácia as tolices cometidas por "Peter Joseph". Os cristãos evangélicos, em especial, têm feito um ótimo serviço nesse ponto. Ao contrário do que pensam muitos neo-ateus, os cristãos, em especial suas lideranças, não são um bando de abobados pagadores de dízimos, embora seja inexplicável que se aferrem a crenças ilógicas. Eles souberam fazer bom proveito de Zeitgeist.

Desta forma, é desnecessário refutar ponto a ponto tudo que está errado no filme: eu prefiro me alongar sobre sua estrutura geral do que me perder em detalhes, nos quais posso até me enganar também, visto que as pesquisas sobre as antigas civilizações têm evoluído desde que me formei na faculdade de História. Basta-me sugerir ao leitor que uma leitura, por mais superficial que seja, de quaisquer obras de referência sobre as antigas religiões, descortinará uma quantidade tão expressiva de erros e interpretações forçadas que o leitor se verá obrigado a imaginar que os responsáveis por Zeitgeist não podem ser levados a sério.

Um Grande Plano Para Ferrar Você

Em seguida o filme se dedica a "desconstruir" as explicações oficiais sobre os atentados de 11 de setembro, recorrendo a teorias conspiratórias. De que maneira este assunto está interligado ao primeiro é algo que, inicialmente, o público de Zeitgeist demora a digerir. Mas, de alguma forma, apesar da estranheza das teorias de conspiração nesse ponto, os neo-ateus engolem esta parte, mesmo meio a contragosto, porque de bom grado consumiram a primeira. O fato de que algumas pessoas que se identificam como "engenheiros" darem depoimentos sobre como o WTC deveria ter caído é suficiente para emprestar credibilidade à tese de que os aviões foram apenas uma desculpa, de que o acontecido foi uma demolição controlada, que tudo foi um "trabalho interno" em nome de algum interesse escuso.
Quando chegamos à terceira parte o filme já se tornou cansativo e os argumentos estão cada vez mais confusos e menos afirmativos. Fica-se com a impressão de que "tudo" faz parte de um Grande Plano executado por Certas Pessoas que têm o poder dos Estados em suas mãos e que trabalham para construir uma Nova Ordem Mundial, sabe-se lá com que interesses. O clímax emocional do filme acontece aqui, quando o diretor entrevista um membro falastrão da família Rockefeller que menciona fatos análogos ao 11 de setembro, um ano antes de que acontecessem. Se isto é verdade ou não, não posso afirmar. O que se pode, sim, afirmar, com base em uma rápida busca pela rede mundial, é que este tipo de teses são defendidas normalmente pela extrema direita religiosa americana, aquela que mata médicos à porta de clínicas que fazem aborto, defende o direito dos pais de espancarem seus filhos, numerosos por sinal, vive na expectativa do arrebatamento e tem em casa pelo menos um rifle para cada mão válida. Nova Ordem Mundial é o nome pelo qual movimentos como o The Cutting Edge e o Vigilant Citizen denominam uma suposta conspiração da maçonaria e dos Iluminati a serviço de Satanás.

Essa história de Grande Plano por Pessoas Ocultas, que dominam todos os países e querem estabelecer uma Nova Ordem é muito antiga e muitas vezes desmentida. Iluminati, Sábios de Sião, Priorado de Sião, Sinarquia, etc. O nome muda, a acusação é a mesma, e o objetivo tampouco muda: de alguma forma sempre se insinua que os culpados incluem o ``Grande Capital'', os judeus, a Igreja Católica e os governos. Boa parte desta terceira parte de Zeitgeist ecoa, melhor seria dizer que ``fede'' a argumentos extraídos dos Protocolos dos Sábios de Sião, a fraude perpetrada pela polícia secreta da Rússia czarista que até hoje é combustível para anti-judaísmo no mundo todo.
Esta estrutura dada ao filme é fascinante. Primeiro o filme destrói a idéia do Deus a que estamos acostumados, então, através das lentes da conspiração do Onze de Setembro, nos apresenta um outro deus, uma espécie de Deus Bizarro, um deus que é o negativo do Velho Barbudo do Céu. Em vez de um ser onipotente e benevolente, há uma organização todo-poderosa e bem-informada, dirigida por impiedosos magnatas que detestam a humanidade como ela é e que se dedicam a destruí-la ou modificá-la segundo seu interesse, se necessário mandando todo mundo para o campo de concentração ou matando seis bilhões de pessoas, como o Vigilant Citizen menciona. Esta organização possui ou quer possuir praticamente os mesmos poderes que o diabo tinha antes de ser descartado pela modernidade, mas Zeitgeist não chega a dizer qual é o deus que combate tal inimigo da humanidade.

Conspirações

Devido à sua estrutura argumentativa e à montanha desconexa de dados que vocifera, em ritmo de videojogo, sem dar tempo para refletir, Zeitgeist é convincente aos olhos dos marinheiros de primeira viagem em teorias de conspiração, uma estranha espécie de crédulos que se identifica com a idéia de que vive em um mundo mágico dominado por vilões do mal e que em breve será destruído. Tal pensamento não é característico de pessoas racionais, ou sequer de quem esteja em plena sanidade mental: esta é a visão de mundo dos cristãos fundamentalistas milenaristas dispensacionalitas: a nata da extrema direita religiosa de AR-15 na mão e abrigo anti-aéreo no fundo do quintal. Gente que espera a volta de Jesus para antes do próximo domingo e que deseja regozijar-se vendo seus desafetos fritando na chapa quente do inferno. Causa-me espanto que tal visão de mundo esteja presente em um filme que pretende divulgar o ateísmo. Causa-me espanto exponencialmente maior que pessoas que pensam que são ateístas se identifiquem com tal filme e comprem esta visão de mundo de contrabando.
Quando vi Zeitgeist pela primeira vez ocorreu-me um insight que quase passou despercebido, mas felizmente registrei: a estrutura do filme lembra os passos iniciais de uma lavagem cerebral, conforme definida pelos autores mais clássicos sobre o tema.

Claro que isto é de uma forma muito limitada, visto que, ao contrário do que ocorre na lavagem cerebral propriamente dita, os responsáveis pelo filme não têm controle absoluto sobre o ambiente e sobre o corpo dos que são submetidos ao processo. Porém, como temos visto ao longo dos anos, as pessoas tendem a encarar a internet como um tipo de experiência pessoal, substituta dos êxtases místicos do passado e suas revelações, e acabam recebendo como "especialmente para si" as informações, mesmo que massificadas, a que têm acesso. Por esta razão, os boatos (“lendas urbanas”) se mantêm vivos por muito tempo, adquirindo, inclusve, uma força que nunca tiveram.
Tal fenômeno é devido à abundância de ingênuos: não apenas sempre há um novo otário para crer nos celulares que a Ericsson distribuirá de graça, como há ferramentas através das quais os boatos podem ser ecoados impunemente e a baixo custo: o correio eletrônico e os sítios de relacionamento. Graças a esta combinação de circunstâncias, obras que jamais teriam qualquer distribuição, atingem um grande público, passando a interferir de forma interativa com a cultura de um modo geral.

Adula-me e te seguirei

A internet é um meme de distribuição de conteúdo que dá a quem o experimenta a sensação de experiência pessoal da verdade. As pessoas criticam pouco o que vêem na internet porque estão possuídas pela ilusão de que a independência da fonte em relação à "mídia" (esse dragão de várias cabeças) supostamente assegura fidedignidade. Acredita-se que uma informação "suprimida" ou seja, não divulgada pela mídia, está provavelmente certa, enquanto as informações da mídia, mesmo que corroboradas por algo tão óbvio como a experiência do dia-a-dia, passam a ser vistas sob suspeita.
Só porque Zeitgeist parte de uma idéia que agrada ao grosso dos ateus/agnósticos/céticos/libertários (negação da divindade de Jesus), ele atrai simpatizantes para outras idéias, estranhas à proposta inicial, mas que, estranhamente, parecem as idéias dos que mais ferrenhamente defendem a divindade de Jesus: A serpente morde o próprio rabo.

Zeitgeist emprega em prol de um "ateísmo" aparente as mesmas armas e conspirações que as religiões brandiram por séculos. Poderia ser, mas talvez não. A serpente morde o próprio rabo, lembrem-se. O símbolo não é só da reencarnação, ele também alude à dialética que conduz os movimentos da História e -- frequentemente -- os atos praticados pelas pessoas socialmente organizadas.

Mecanismos de lavagem cerebral em Zeitgeist

Não sei se lavagem cerebral funciona ou não. Sou "agnóstico" quanto a isso, diante de minha falta de formação na área. O que percebi foi que, válida ou não a técnica, os realizadores de Zeitgeist a levam tão a sério que a seguiram rigorosamente na estruturação de ambos os filmes.
Dirão que não é justo descartar o todo por causa de erros das partes, devido ao "valor" que supostamente teria para os secularistas. Basicamente este é o argumento que é usado pelos religiosos para defender a Bíblia de acusações de contradições, erros e absurdos. Você vê esse argumento em ação praticamente todo dia quando visita certas comunidades teístas do Orkut. Então temos na boca de pessoas que se julgam a "nata" da sociedade por serem ateístas o mesmo tipo de falácia que é usada na defesa ingênua da Bíblia ou outro livro religioso.
Porém, uma obra que contem predominantemente dados incorretos em meio a alguns verificáveis como corretos está tentando manipular o público para aceitar os incorretos como verdade. Como as pessoas não costumam checar tudo, se apenas notarem que algumas coisas procedem, vão imaginar que todo o resto procede da mesma forma. Assim, torna-se eficaz como panfleto de recrutamento de simpatizantes para suas duas verdadeiras causas, causas essas que tangenciam perigosamente o tipo de idéias que andam na cabeça dos fundamentalistas mais tacanhos.
Lavagem cerebral se faz colocando grãos de verdade na ração dos ingênuos, para que engulam no meio do que acham certo uma informação de interesse do condutor do processo. E se faz repercutindo e repetindo, vezes sem conta, para vencer pelo cansaço. Não vou explicar como funciona, artigos sobre lavagem cerebral são fáceis de achar na rede. Apenas peço que você, por conta própria, faça a pesquisa. Vale a pena.
Zeitgeist reaparece a cada semana na internet, há quase três anos. Nenhum filme realmente bom sobre a História jamais teve esta atenção. Para mim está muito claro o que ele é. Mas não é fácil convencer disso facilmente o público cativo que ele angariou porque quem é submetido pela lavagem cerebral se torna um fanático por ela. É por isso que não adianta ser ateu se você não é cético de verdade e se não tem bons conhecimentos para defendê-lo de manipulações como essa.
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José Geraldo Gouvêa.
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Zeitgeist para download aqui

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Um Ateu em Busca do Humor

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Dia desses recebi um scrap no meu Orkut, de um garoto de Rondônia, que na altura dos 15 anos, descobriu que não acreditava em deus. "Sempre tive dificuldade em admitir para mim mesmo que deus não existia", falou o rapaz, concluindo "Pensei que estava sozinho nessa minha ausência de crença, mas então, pesquisando no Google, descobri que somos milhares.
Vejam só que interessante... meu novo amigo começa dizendo que sentia-se sozinho, e logo depois já usa a primeira pessoa do plural, e se coloca ao lado de todos os outros ateus.
Bem, no scrap, o rapaz disse que, ao pesquisar na internet, chegou a alguns links que mostravam meus vídeos. Disse que assistiu a todos eles e que agora, ainda que não soubesse que sua ideologia fosse correta, sentia que estava certo ao pensar assim. Não havia mágica no mundo.
Não é a primeira vez que alguém me procura dizendo que meus vídeos acabaram influenciando suas decisões. No íntimo, naão posso negar que sinto um orgulho enorme disso. Que venham as acusações de que sou um pastor ao avesso, um proselitista do ateísmo, eu não me importo.
Todos os dias, milhares de jovens são corrompidos por paróquias de fundo de quintal, ae passam a ver o mundo da maneira distorcida que só os crentes mais fanáticos conseguem. Todos os dias alguém se afunda no limbo da fé, e fecha os olhos aos avaços da ciência. Todos os dias, um novo jovem é desencaminhado pela ignorância da crença.
Por isso, e só por isso, sinto esse ergulho cada vez que um gato pingado chega até mim e diz que, de forma simples, eu os ajudei na tomada de suas decisões. Visto meu caráter militante, tudo que posso almejar é isso mesmo: que meus vídeos acabem esclarecendo aqueles que já buscam o caminho do ceticismo e do ateísmo.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Não é nada pessoal, é claro

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Dia desses, fui vítima de violência virtual paor parte de dois indivíduos no Orkut, que, dentre outras coisas, me chamaram de Messias (ofensa gravíssima, concordam?), megalomaníaco (menos mal), e mau caráter (péssimo).
O mais engraçado é que a violência partiu de dois membros de uma certa entidade que se diz "humanista". É claro que, como indivíduos, eles têm todo o direito de exprimir suas opiniões a meu respeito, ainda mais porquê eu não fui particularmente educado com ambos.
Mas vejam bem, eu realmente não tenho muita paciência com pessoinhas medíocres, sabe?
Da minha parte, fiz o que pude. Escrevi para a tal entidade, alertando seu presidente para que interceda junto aos ditos-cujos imbecis (desculpem, mas não encontro palavra melhor para defini-los), de forma que eles aprendam a ter um pouco mais de discernimento ao exporem suas opiniões.
O mais engraçado vem agora. A tal entidade manifestou-se sim. Disse que não é responsável pelas palavras de seus membros, e que suas opiniões pessoais não refletem a opinião da tal entidade.
Isso lembra alguma coisa?
Há meses atrás, Daniel Sottomaior usou do mesmo argumento pra defender a sua malfadada Atea. "Ah, eu sou vegan, mas a Atea não é".
É... é mesmo muito parecido.
O pior é que, quem preside a tal associação é uma pessoa que eu prezo muito. Além dele, existem alguns outros que têm boa índole. Mas, sinceramente, esses dois indivíduos que me atacaram são de um desprezo inigualável. São patéticos, na verdade.
Bem... por quê estou escrevendo isso?
Porque atualmente sou um dos diretores da União Nacional dos Ateus, entidade da qual surgiu essa outra (uma espécie de dissidência, eu diria, tal qual a UNA foi dissidente da Atea), e aprendi, com algum custo, que temos de usar diplomacia, se quisermos que o ateísmo siga adiante no Brasil. As entidades existentes, além de poucas, são desagregadas, separatistas, inimigas, críticas umas às outras.
Por isso alerto os dirigentes da tal entidade (como fiz em sua lista particular de emails, a propósito): cuidem de seus membros, aconselhem-nos a se pronunciar com mais discernimento, com mais educação, afinal, eles refletem sua personalidade na entidade (e não venham com blablabla dizendo que as opiniões dos ogros nada têm a ver com a entidade. Esse discursinho falido já foi usado pela Atea).
Não pega bem para uma entidade que mal saiu das fraldas ser representada por pessoinhas medíocres, que se dirigem a outros com as piores ofensas, e, o pior, em público.
Eu? Eu estou de mau humor mesmo. Isso não é novidade. Jamais escreveria essas linhas no blog da União. Mas, ao menos, minhas atitudes não são ditatoriais na UNA. Cada decisão tomada é acompanhada da decisão de outros sete membros da diretoria, e muitas vezes, da votação aberta dos membros.
Quanto à violência verborrágica e cansativa dos dois trolls, afirmo: serviu, ao menos, para mostrar a real índole dessas pessoas que se dizem humanistas.
Bem... o que esperar de alguém que disse, certa vez: "Para o Brasil dar certo, teríamos que matar muita gente".
Já li algo parecido nos livros de história, quando aprendia sobre a Inquisição.
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